O advento da pandemia de COVID-19 nos colocou diante de um cenário de medo e incertezas inédito neste século, e que abrange questões sanitárias, sociais, afetivas e econômicas. Os reflexos disso na saúde mental de todos já se fazem sentir: estresse, ansiedade, angústia, depressão, pânico.

Uma das categorias que mais tem sentido isso na pele – e na mente – é a dos profissionais de saúde que estão na linha de frente do combate ao coronavírus. Confrontados com a realidade do que acontece nos postos de saúde, clínicas e hospitais de todo o país; pressionados por situações limite e jornadas exaustivas; muitas vezes optando por se afastar da família para evitar o risco do contagiar a quem amam; vendo crescer o número de colegas de trabalho infectados e mortos pelo vírus, esses profissionais – médicos, enfermeiros, técnicos e equipes de apoio – precisam de um suporte extra para manter seu equilíbrio físico e mental.

Uma das maneiras de amenizar a pressão que sofrem é recorrer a um dos pilares da Medicina Tradicional Chinesa – a prática corporal denominada Tai Chi Chuan.

Valéria Sanchez, diretora do Supremo Tai Chi Chuan, dedica-se à prática e ao ensino do Tai Chi há mais de 20 anos. Nesse período, já teve oportunidade, inclusive, de montar programas especiais dentro de hospitais. É com essa bagagem que ela sempre recomenda essa arte marcial interna chinesa como aliada do bem-estar dos profissionais de saúde – e, mais ainda, no cenário atual:

Ao executar os movimentos lentos do Tai Chi Chuan, que exigem foco e atenção plena, o praticante tem a oportunidade de perceber a si mesmo e a tudo que está ao seu redor. O ritmo da respiração, a pressão arterial e a tensão nos ombros diminuem, a postura melhora, o equilíbrio aumenta e o corpo entra em um estado de relaxamento e harmonia. Por essa razão ele é conhecido como ‘meditação em movimento’. Com o equilíbrio físico, melhoramos também o equilíbrio emocional. Desaceleramos os pensamentos, aquietamos a mente. Com essa calma que conquistamos, podemos fazer melhores escolhas e tomar decisões mais assertivas”.

Os benefícios do Tai Chi Chuan são comprovados por alunos de variados perfis da escola de Valéria Sanchez. E, neste momento, especialmente por aqueles que atuam na área da saúde.


Controle da ansiedade e equilíbrio físico e mental.

A Dra. Othilia Monteiro Nantes, médica anestesista do Hospital Santa Isabel e do Hospital da Luz, 54 anos, declara: “pratico Tai Chi Chuan há quase um ano. Como anestesista, trabalho no centro cirúrgico dos hospitais e também na linha de frente, na UTI e no PS, ajudando nos procedimentos invasivos e na entubação dos pacientes com COVID-19. Acho que o Tai Chi tem sido muito benéfico para mim, tanto no controle da ansiedade, como no equilíbrio físico mental, o que acaba ajudando na própria imunidade”.


Um auxílio para suportar as longas horas de trabalho.

Cirurgiã pediátrica há mais de 20 anos, trabalhando em 3 hospitais de São Paulo a Dra. Katia Abud Sousa, também dá seu testemunho:“tenho 50 anos e sou aluna da escola Supremo Tai Chi há um ano. Apesar de minha especialidade ser o atendimento e a realização de cirurgias em crianças, neste momento de pandemia, eu (assim como a maioria dos médicos) estou sendo requisitada a atuar também nos atendimentos a pacientes e funcionários com síndrome gripal – muitos deles infectados pelo SARS COV 2 ou pelo novo coronavírus (COVID-19). A minha experiência com o Tai Chi tem ajudado não somente na parte física, como na manutenção da cabeça centrada e no equilíbrio. Nesse momento de extrema tensão que vivemos, isso é fundamental. Além disso, sou obrigada a ficar muito tempo em pé. O Tai Chi trouxe uma grande melhora nas dores que sentia nas costas e nos joelhos – seria muito difícil resistir às longas horas de trabalho não fosse seu auxílio”.


Maneira privilegiada de nos voltarmos para nós mesmos.

Praticante do Tai Chi Chuan há mais tempo que as colegas – oito anos – o Dr. José Carlos Aquino de Campos Velho, 59 anos, geriatra, é um entusiasta da prática: “atuo em consultório privado e em hospitais na Grande SP. No Hospital Santa Catarina, onde concentro minhas atividades, coordeno uma equipe de geriatria. Pela minha faixa etária, muito próxima do grupo de risco de complicações e mortalidade, foi solicitado que eu não visse pacientes portadores do coronavírus. Mas, embora não esteja trabalhando diretamente com casos de COVID-19, eu tenho funções em termos de coordenação e discussão de casos. Além disso, contribuo na geração de políticas de enfrentamento da epidemia de coronavírus na instituição, particularmente no que se refere ao atendimento dos pacientes mais idosos.

Vivemos um momento de enorme estresse do ponto de vista psicológico e social, com poucas válvulas de escape – permanecemos 24h ligados ao que está acontecendo no mundo. O Tai Chi é uma maneira privilegiada de nos voltarmos para nós mesmos e para nossas necessidades mais essenciais de paz, de serenidade, de calma, e de tranquilidade. Além de ser um exercício físico completo, ele traz um enorme impacto do ponto de vista psicológico”.

E complementa: “o Tai Chi Chuan, na medida que é uma arte e uma técnica que pode ser chamada de ‘meditação em movimento’, assume relevância atualmente pelo fato de nos colocar centrados em nós mesmos; na precisão de nossos movimentos; na nossa respiração. Ele nos conecta com a natureza, através das conexões com o céu e a terra, que claramente são colocadas como importantes nessa prática. O enraizamento com a terra”.


Live – O Tai Chi Chuan e os Profissionais de Saúde.

Desde que teve início o período de isolamento social como forma de combater a disseminação do vírus, a instrutora Valéria Sanchez tem realizado atividades online gratuitas para compartilhar os benefícios do Tai Chi Chuan com o maior número de pessoas possível, num momento em que eles são, mais do que nunca, necessários. Além de aulas duas a três vezes por semana, no próximo dia 27.05.20, ela realizará, com o Dr. José Carlos Aquino de Campos Velho, uma live, transmitida pelo Facebook às 20h, para falar especificamente dos ganhos que a prática trazem para os profissionais de saúde.

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